Publicado por: Melvin | agosto 13, 2007

Para menores

Sigo devendo outro ensaio mais profundo, dessa vez sobre os fãs de música como último recurso das gravadoras e também os maus-tratos sofridos ao longo da última década. Mas uma notícia me chamou a atenção essa semana por ter sido realmente a primeira BOA idéia que alguém teve para criar novos fãs de música. Sim, porque consumidores de música nunca tivemos tantos, é só ver a quantidade imoral de ipods vendidos e circulando por aí nos últimos anos.

Foi na Inglaterra o ocorrido e consigo imaginar os reflexos de uma ação relativamente simples nos anos por vir. O Underage Festival reuniu bandas novas e um público de 5 mil pessoas sob uma premissa muito interessante: ninguém no público, nem mesmo os jornalistas, podia ter mais de 18 anos. Com isso 5 mill adolescentes e pré-adolescentes ingleses tiveram o prazer, muitos pela primeira vez, de assistir a um show de rock e ainda por cima em condições mais agradáveis, sem bêbados ou alguém muito maior que eles se batendo na frente do palco. É lógico que estamos falando de condições irreais, mas o valor de uma primeira experiência saudável como essa é inestimável. É com certeza gente que por muito tempo achar um programa muito bom ir a um show ou a um festival, eventos não muito em voga aqui por esses lados.

link da matéria original – http://news.bbc.co.uk/2/hi/entertainment/6942006.stm

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Publicado por: Melvin | julho 10, 2007

Good Copy, Bad Copy

Seguindo uma ótima sugestão dos amigos do URBe, assisti ao documentário “Good Copy, Bad Copy” (2007). No espírito do copyleft, ainda que não se assuma assim, o site oficial dava o link pro torrent do filme.

Um tanto confuso, assim como é o próprio tema que se propõe a discutir, os direitos autorais no dia de hoje (pirataria, napster, samples) o “Good Copy, Bad Copy” serve de excelente ponto de partida para várias discussões. Mais do que uma resenha do filme (algo que o Bruno fez com tanta propriedade que não ouso competir – clique em “ótima sugestão” no primeiro parágrafo e confira por si mesmo), vale ressaltar alguns pontos que ele levanta.

A principal questão (de todos os envolvid0s) é como remunerar o artista. Em dado momento, um dono de selo faz uma conta rápida, sugerindo que as pessoas assinassem música como qualquer outro bem (água, TV a cabo), 50 dólares em uma taxa anual, e que se 600 milhões de usuários adotassem isso teríamos o mesmo lucro da indústria atual para dividir. Mas como dividir o bolo num mundo (que é retratado no filme) onde o usuário passa a artista? A matemática deixa de servir…

Da mesma forma, são abordados pela primeira vez a indústria do cinema na Nigéria e do Techno Brega no Brasil, que crescem e geram números impressionantes mesmo agindo informalmente. Por mais que esses movimentos sejam sintomáticos dos novos tempos, não conseguimos ver no filme nenhum exemplo de alguém exatamente bem-sucedido monetariamente dentro desses modelos. Isso sem entrar muito no mérito de como deve ser difícil se estabelecer como novo agente nesses meios sem ter que aceitar um acordo muito desigual com de algum dos grandes grupos que já controlam o mercado.

No fim das contas, quem parece sobreviver melhor nesses novos tempos são os dois DJs americanos, o Danger Mouse e o Girl Talk, sendo que o primeiro ganhou notoriedade com o “Gray Album” mas com certeza mudou de vida com os dividendos de “Crazy“, recolhidos ainda à moda antiga.

Publicado por: Melvin | junho 27, 2007

Sobre o MusicPac

O MusicPac (leia mais no post abaixo) é a resposta da Universal ao CDZero da Sony/Bmg. As duas soluções têm em comum o fato de serem a primeira manifestação da Indústria em relação ao preço dos CDs. Foi a ficha que mais demorou a cair, e chega num momento onde toda uma nova geração não sabe mais o caminho da loja, não tem mais o interesse de fazer uma coleção de CDs e não dá o valor que as gerações anteriores davam.

A decisão da Universal traz dois grandes acertos, especialmente em relação ao CDZero: primeiro trazer o disco inteiro (a argumentação do CDZero bater o pirata caía por terra ao lembrar que o pirata estava oferecendo até três vezes mais conteúdo); segundo, a Universal já lança uma série toda de CDs nessa categoria. Com uma boa campanha por trás, pode gerar resultados mais rápido.

Na minha opinião, ambas as soluções são apenas um meio de finalmente se admitir que o CD caiu de valor junto ao consumidor. Se o CD do MusicPac custa 10,90 e 15,90, quanto mais custa para ele vir na embalagem habitual? Menos de 2 reais, qualquer um que já prensou meras mil cópias independentes sabe disso. A conferir.

Publicado por: Melvin | junho 27, 2007

Universal Contra-Ataca

Comunicado à imprensa

MusicPac  – a novidade da Universal Music

Rio de Janeiro, 26 de junhoBaseada em uma bem-sucedida experiência de sua matriz européia, a Universal Music Brasil recoloca nas prateleiras grandes nomes de seu catálogo, agora em embalagens práticas que privilegiam o que é essencial: a música.

Com previsão de chegada às lojas de todo Brasil em julho, a série Universal MusicPac é uma iniciativa que vem de encontro ao que o consumidor cada vez mais atento está buscando: produtos de qualidade com preços em conta.

A primeira leva da Universal MusicPac terá tiragem limitada e será composta de 31 títulos: 13 internacionais e 18 nacionais.

Com preços mais acessíveis ao consumidor, todos os produtos da série voltam às lojas na íntegra, com a mesma quantidade de faixas dos projetos originais, mas a preços sugeridos de R$ 10,90 para discos do repertório nacional e R $ 14,90 para os internacionais.

Além de todas as faixas, os discos da série Universal MusicPac trazem capas originais e contracapas padronizadas com as informações básicas de cada produto. Demais informações poderão ser obtidas via internet: o consumidor terá à disposição um endereço exclusivo (mencionado no material gráfico dos CDs) através do qual poderá visualizar e imprimir as fichas técnicas originais e completas de cada álbum, sem custo algum ( www.universalmusic.com.br/novaembalagem).

Grandes astros e campeões de vendas do cast Universal fazem parte da primeira fornada, como Zeca Pagodinho, Babado Novo, Armandinho, Ivete Sangalo, a dupla César Menotti e Fabiano, Diana Krall, Stevie Wonder, Madeleine Peyroux e muitos outros (confira a lista de títulos completa abaixo).

Universal Music Pac – primeiros lançamentos:

Nacionais   

Ivete SangaloAS SUPER NOVAS / Zeca Pagodinho –  ACÚSTICO 2 – GAFIEIRA /  Cesar Menotti & Fabiano – PALAVRAS DE AMOR AO VIVO / Babado Novo –  O DIARIO DE CLAUDINHA / ArmandinhoARMANDINHO AO VIVO / CPM22MTV AO VIVO / Jeito MolequeME FAZ FELIZ / João Bosco OBRIGADO GENTE / LeonardoDE CORPO E ALMA / Zeca PagodinhoÀ VERA / Pega Vida – KID ABELHA / Marjorie EstianoMARJORIE ESTIANO / Rionegro & SolimõesDO JEITO DA GENTE  / Chitãozinho e XororóVIDA MARVADA / Planta & RaizPLANTA & RAIZ AO VIVO / Isabella TavianiISABELLA TAVIANI AO VIVO / Sambas de Enrêdo 2007VÁRIOS / Sandy & JuniorSANDY & JUNIOR

Títulos Internacionais:

Diana Krall FROM THIS MOMENT ON / Ray Charles and The Count Basie OrchestraRAY SINGS BASIE SWINGS / Amy WinehouseFRANK / Stevie Wonder – A TIME TO LOVE / Keane – UNDER THE IRON SEA / Ne-yo – IN MY OWN WORDS / Sergio Mendes – TIMELESS / Madeleine Peyroux – HALF THE PERFECT WORD / The Pussy Cat Dolls – PCD / Scissor Sisters – SCISSOR SISTERS / John Fogerty – THE LONG ROAD HOME – THE ULTIMATE JOHN FORGETY   / Santana – SACRED FIRE-LIVE IN SOUTH AMERICAN / Abba – 18 HITS         

Publicado por: Melvin | junho 24, 2007

Estratégias de lançamento

Além do caso do ASH, descrito no post anterior, algumas outras bandas estão aparecendo com estratégias bem interessantes para lançar os seus discos. Notem que quase sempre a iniciativa parte de selos independentes, muito mais abertos aos novos conceitos.

(1) The New Pornographers – O disco deles só sai em Agosto. Através do site http://www.buyearlygetnow.com/ , como o próprio bem-sacado nome do site sugere, você compra o disco “Challengers” em pré-venda e ganha imediatamente acesso a um site com o streaming do disco, para ir ouvindo antes de receber (e antes de se sentir traído ao ver o disco que você pagou para ter antes caindo na rede). Como se isso não bastasse, o fã ainda recebe faixas bônus, como demos e músicas ao vivo.

(2) Tesla – O Tesla é uma banda de hard rock americana que praticamente lançou o formato do disco acústico com seu multi-platinado “Five Man Acoustical Jam”, de 1990, um show acústico gravado com a única pretensão de arquivo pessoal e que estourou após uma rádio estourar uma versão pirata de um show, uma cover da música “Signs”. O Tesla seguiu carreira elétrica, acabou no meio da década passada e voltou recentemente com um disco ao vivo e formação original. Após um álbum de inéditas friamente recebido, preparam-se para lançar “Real to Reel”, um disco duplo de covers e lançado pelo próprio selo da banda. O detalhe é que apenas o disco 1 será vendido em lojas. O segundo é um brinde para quem comprare ingressos para a nova turnê. Se esse modelo talvez não sirva para ser aplicado a casos major, ele é certamente interessante para banda com uma base de fãs considerável e à margem da mídia. E imagine, só imagine, o Los Hermanos voltando com um disco duplo de inéditas e lançando sob essas condições…

(3) Smashing Pumpkins – o novo disco “Zeitgeist” sai em 4 versões, gesto mal recebido pela imprensa americana, que num primeiro momento acusa a banda de estar tentando fazer o fã comprar o mesmo disco quatro vezes. Até agora nenhum fã reclamou. Ao contrário de George Lucas, que relançou “Guerra nas Estrelas” em meia dúzia de formas diferentes desde 1997, o Smashing Pumpkins anunciou antes, deixando o fã livre para escolher. As versões de “Zeitgeist” diferem apenas em uma faixa: a versão normal vem sem bônus, a das lojas Best Buy trazem uma extra, a do Itunes um extra diferente (e mais covers de Smashing Pumpkins feito por bandas de sucesso nas paradas) e a da loja Target traz a faixa-título como bônus.

Essas covers do Smashing Pumpkins andam circulando nas páginas das bandas que prestaram o tributo, a ser lançado formalmente em CD na edição de Julho da revista Spin.

 (4) E o Brasil? No Brasil tem http://www.cdzero.com.br/, que discuto em breve. Mas não me soa bem…

  

Publicado por: Melvin | junho 18, 2007

Banda anuncia seu último disco mas segue lançando material

Fonte: http://www.ash-official.com/forums/showthread.php?s=881e09ec0acb7d8d99f3fa50bd69b413&t=1862

Finalmente alguém chamou a responsabilidade para si e deu o inevitável passo. O Ash, que para quem não conhece é uma banda de rock irlandesa com um currículo invejável (17 singles no top 40, 5 discos no top 10), anunciou o lançamento do seu último álbum, “Twilight of the Innocents”. Mas os fãs não têm do que reclamar: a banda pretende seguir na ativa. Mais do que nunca, inclusive.

Utilizando seu próprio estúdio, em NY, eles vão passar a lançar singles virtuais de tempos em tempos. Com isso pretendem, nas palavras deles mesmos, “entrar numa fase de criatividade e espontaneidade”, fazendo o material novo chegar mais imediatamente nas mãos dos fãs.

A parceria com a gravadora segue e, de tempos em tempos, os singles vão ser reunidos e vendidos em CDs, pros fãs à moda antiga.

A idéia já estava no ar há algum tempo e é bastante provável que funcione e que muitos outros enveredem por esse caminho. Para alguns, é apenas o natural encerramento de um ciclo. Antes dos discos de rock, o que tínhamos eram singles. A idéia do single antecedeu o Long-Play, que só veio a fazer sentido mesmo com álbuns conceituais. Até então, o LP era a reunião de alguns singles e mais uns “fillers”, aquelas faixas com o único intuito de preencher o álbum e atingir um mínimo de duração.

Se algumas gerações de bandas (dos anos 70 aos 90) se acostumaram à idéia de gravar álbuns, obedecendo a uma lógica de início, meio e fim e algumas regras tácitas de ordenação, o mesmo não parece se aplicar às bandas de hoje.

Na declaração do Ash, o vocalista Tim Wheeler aponta para a grande quantidade de músicas desnecessárias (ou lixo, vá lá) presente nos discos atuais. Seria o reflexo de uma geração que nasceu baixando músicas, conhecendo apenas os singles em páginas do mp3.com e do TramaVirtual, vivendo num mundo onde o grande portal para se conhecer uma banda e formar uma opinião acerca dela são as tais quatro músicas no myspace?

Sem nenhum tipo de saudosismo, apenas um sinal dos tempos. Afinal, a quantidade de informações presentes hoje talvez não permita mais tantas tentativas e erros aprofundados, como já foi um dia.

De volta ao single, então.

Publicado por: Melvin | junho 16, 2007

ensaio: O modelo econômico das turnês

O modelo econômico das turnês

A turnê é a base da sobrevivência de qualquer banda média e normalmente até grande no exterior, em especial nos Estados Unidos e na Europa. Por definição, ela nada mais é do que uma viagem da banda para mais de um show, sendo que idealmente ela há de se estender ao máximo possível e seguir um roteiro o mais predeterminado possível.

Com o Carbona tivemos como uma das primeiras experiências de banda, ainda nem com 6 meses de existência, uma turnê de 12 shows pelos Estados Unidos e Canadá onde não apenas aproveitamos ao máximo a experiência de viver o sonho antigo de todos nós de “viver o rock na estrada” como estivemos sempre atentos para utilizar e adaptar o que encontramos lá à realidade brasileira. De posse desse know-how e de algumas conclusões, partimos posteriormente para três turnês brasileiras (South Freakout Tour, 1999 – 7 shows em 10 dias, Chicletour, 2003 – 19 shows em um mês e Chicletour 2, 2005 – 23 shows em um mês) e estamos agora nos preparando para mais uma.

No Brasil, mesmo as bandas de grande porte, como Los Hermanos e Jota Quest, não costumam se utilizar muito desse modelo, a não ser para visitas a regiões mais distantes do país. Sua agenda segue lotada, mas a instabilidade do mercado não permite algo nos moldes de bandas inglesas e americanas de igual porte, que vão cobrindo continentes numa sequência que otimiza as distâncias, durando meses a fio. As bandas de grande porte acabam por não ter nenhum prejuízo com isso, já que os custos de deslocamento ficam por conta dos produtores locais, mas houvesse um mercado mais estável para bandas de pequeno e médio porte o modelo de tour precisaria ser mais utilizado.

O principal ponto de uma turnê é exatamente esse: diminuir os custos (monetários e até mesmo físicos/psicológicos) do deslocamento de toda a estrutura de um show. O planejamento antecipado traz benefícios de outras formas, como o planejamento do merchandise e das ações de divulgação, dado que uma turnê normalmente apóia o lançamento de um álbum ou até mesmo ela em si é a notícia (como turnês de reuniões de banda – o The Police é o maior exemplo atual).

A seguir, por tópicos, algumas lições tiradas do Carbona e suas aplicações à realidade brasileira e em especial à realidade do meio independente.

(1) Couvert Artístico – nos Estados Unidos as bandas recebiam integralmente o valor da entrada. Numa estrutura maior existe a entrada de outros agentes, como a Ticketmaster e qualquer tipo de revendedor de ingressos, mas a idéia nos shows independentes é que o valor pago pelo show fique integralmente para a banda. À casa passa a caber tão somente todo o consumo de bebidas e afins do público.

Na aplicação à realidade brasileira, este foi dos maiores entraves. É notória, ainda mais no meio independente, a má-vontade das casas quanto à remuneração das bandas, independente de quantas centenas de quilômetros estas bandas estejam de suas cidades de origens.

Uma observação quanto aos hábitos do público não pode passar em branco: enquanto lá fora o público ia para a casa consumir antes do show, no Brasil é muito comum que o público consuma fora do lugar do show (por questões de economia e minimamente também por socialização) e só entre nos lugares já na hora de início do show. É uma questão extremamente delicada, no meu ponto de vista essencial ainda que indiretamente conectada à questão das remunerações do artista e ainda há de merecer um estudo à parte.

(2) Merchandise – A venda de camisetas e outros apetrechos com a marca da banda há muitos anos representa uma parte considerável dos rendimentos de uma turnê. Algumas bandas apostam mais forte no segmento, como por exemplo os Rolling Stones, a Dave Matthews Band e o Less Than Jake, um independente que faz questão de marcar cada turnê com edições limitadas de seus discos e até brinquedos. No Brasil praticamente não existe entrave para este item mas ainda assim não existe uma grande tradição. As bandas mais novas, como Los Hermanos e Pitty, já se encontram plenamente adaptados a essa realidade.

No caso do Carbona, nos Estados Unidos tínhamos o nosso CD, uma camisa com as datas da tour e o nome da banda e adesivos que fizemos num bureau, imprimindo a logo da banda e o endereço da homepage em papel adesivo e recortando. Aqui no Brasil fazemos constar das tours SEMPRE uma camisa com as datas, além de CDs, buttons, adesivos e outros modelos de camisa. Fora do modelo de turnês, o capital parado nesse material pode ser um problema para a banda.

(3) Equipamento – No nosso caso lá fora, mesmo em shows onde até cinco bandas dividiam o palco, cada uma delas possuía seu próprio backline completo, ou seja, além dos instrumentos todas elas levavam os amplificadores e bateria. E viajavam o país e/ou continente inteiro carregando tudo isso e mais o merchandise dentro de uma van. Com isso a casa não tinha custos extras com aluguel de equipamento, ou como é mais comum por aqui, não precisava de um produtor que preparasse essa estrutura e ajudasse na divulgação, ficando com uma fatia do lucro.

No Brasil essa estrutura é comum apenas nos casos de artistas maiores, onde a própria van é substituída por ônibus (na maioria dos casos, alugados).

No caso independente, por mais que possuir equipamento próprio seja uma forma de a longo prazo lucrar mais com sua estrutura de shows, os entraves são inúmeros, por mais que uma evolução não possa deixar de ser notada.

Há menos de 10 anos surgiram no país as primeiras vans, mas o custo delas é demasiado elevado para uma banda. Nós viajamos os Estados Unidos em uma van de 20 anos de idade e que cumpria razoavelmente seu papel. Dificilmente aqui um veículo com 20 anos de estrada ainda poderá servir para viagens interestaduais. De qualquer forma, é algo a se testar num futuro. Não que esse seja o único determinante para a viabilização de turnês aqui.

Quanto ao equipamento, a indústria nacional evoluiu muito de dez anos para cá e amplificadores e instrumentos nacionais (bem mais baratos que os importados) já podem ser usados sem restrições.

(4) Shows de meio de semana – O que de fato viabiliza uma turnê independente são os shows de meio de semana. Que ninguém se iluda e imagine que no exterior os shows são lotados de Domingo a Domingo. Mas os shows de meio de semana são imprescindíveis para a realização de uma tour. O Day Off, ou seja, o dia sem show, representa custos relativamente altos, onde existe somente saída de capital. Algumas cidades menores possuem tradição como “cidades de passagem” e receber integralmente a receita de ao menos 50 pagantes já proporciona alguma entrada e mantém o mecanismo funcionando.

No Brasil essa é das aplicações mais complicadas, e por conta disso o planejamento das nossas viagens comece quase sempre com o mapeamento de possíveis lugares que recebam um show do Carbona em qualquer dia entre Segunda e Quinta. Vale até mesmo a deslocar alguma capital para o meio de semana, como é o caso de Porto Alegre, onde durante muito tempo a Segunda-Feira foi um dia forte de shows. Já em São Paulo a proporção de público caiu tanto que essa idéia não foi reaproveitada. Não é de se admirar que num mercado incipiente como o da música independente não existam muitas cidades, capitais ou no interior, que resolvam de forma positiva a equação financeira que viabilize um show em dia de semana. Esse segue sendo um dos grandes entraves à implantação de turnês.

Além desses quatros tópicos principais, não pudemos (e não podemos) deixar de situar o status do rock culturalmente. Nos Estados Unidos, o rock é dos estilos de música mais preponderantes. No Brasil ele ocupa um espaço muito forte dentro de uma elite mas definitivamente não é o som do povo. Ficamos a imaginar o quão mais fácil seria para uma dupla de funk excursionar vendendo seus discos e camisetas, ou até que ponto uma estrutura independente como a nossa funciona para uma banda de country que viaja pelo interior paulista. De qualquer forma o espaço para o rock existe, e o nosso esforço em viabilizar turnês pelo país, além do de outras bandas que constantemente apostam e apostaram no modelo como Dead Fish, Jason, Thee Butchers Orchestra, Wry e Noção de Nada demonstram resultados cada vez mais gratificantes.

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